segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Encontro (Coisinhas-Bonitinhas-de-Casal-Feliz)

Ela: Desligou o telefone. As lágrimas começaram a escorrer pelo seu rosto jovem, delicado. Estava feliz, tão feliz que esse sentimento transbordou para fora de seu corpo. Finalmente voltaria a revê-lo, a sentir aquele cheiro bom, aquele gosto masculino, simultaneamente agressivo e necessário. Era o menino de sua infância. O rapaz com quem conversou durante toda sua adolescência. Falavam sobre livros, planetas, pessoas, notas de musica. Falavam sobre o futuro e jamais imaginaram que teriam essa dependência tão grande um do outro. Era o homem de sua vida. Agora estavam adultos e voltariam a se ver. Durante o banho, milhares de pensamentos. O “como-será-que-ele-está?” acompanhava aquela vontade sufocante de abraçá-lo por horas, transformando-os em um só. Ao se arrumar escolheu um vestido básico e delicadamente sensual, feito por ela mesma. Estava quente lá fora. Maquiou-se de leve e passou o melhor de seus perfumes. O coração batia num ritmo desconhecido, talvez pela mistura de felicidade+ansiedade+medo. Preparou um café para mais tarde. O telefone tocou. “Já estou indo”, disse ele brevemente. Sem pressa, ela se olhou no espelho mais uma vez, pegou o presente que havia comprado e fechou toda a casa. Estava pronta para encontrá-lo.

Ele: Desligou o telefone. Era um homem calmo e reservado. Jamais tivera tanta vontade de (re) ver alguém como agora. Quando jovem, teve muitas garotas, contudo um vazio enorme e estranho nunca o abandonou, até encontrá-la nos tempos de escola. Infelizmente não se viam ha anos, mas as lembranças dela, de suas palavras devidamente ditas, daquele seu jeito ímpar , que chegava a desafiá-lo e lhe fazia falta. Seu banho teve Ray Charles como trilha sonora. Não tinha muitos pensamentos, pois estava certo de que ela estaria linda e com o mesmo sorriso apaixonante dos tempos passado. Apenas queria beijá-la e ouvir sua voz. Pensou até em fazer alguma musica com ela. Decidiu levar seu violão. Arrumou-se tranqüilamente, queria estar bonito para ela, de modo discreto. Após se arrumar, ligou para ela avisando que estava indo. Pensou em comprar flores, essas coisas bonitinhas de casal feliz, mas se lembrou que ela detestava flores. Pegou as chaves de seu carro e partiu: estava pronto para encontrá-la.

Encontro: Quatro e meia da tarde. Ela havia chegado na praia primeiro que ele. Nas mãos, o presente que lhe prometeu. Ele não demorou muito para chegar e já a avistou assim que estacionou o carro. Ela também o avistou de longe, vindo calçadão. Ambos abriram o sorriso mais sincero que havia em si. E aquela vontade incessante de um abraço foi suprida, assim como ela queria. Sentiu os braços dele em volta de seu corpo. Os corações estavam acelerados: era um reencontro com a vida. Já ele reservou o melhor de seus beijos para aquele momento. Um beijo cheio de vontade, amor, sincero. Sentaram-se próximos do mar. Colocaram a conversa em dia...todas as frustrações, vitórias, graduações, amores antigos e aquela saudade imensa que os consumia,e que já não os consumia naquele instante. Ela aproveitou uma deixa e lhe entregou uma gaita rústica, comprada no interior, que a fez lembrar-se dele naquela viagem. Meio sem jeito, agradeceu com um beijo repleto de vontade. E disse:
- Cante para mim. Eu preciso da tua voz agora.
- Canto, mas eu preciso das tuas notas musicais agora. – respondeu.

E sorriram. Sob um pôr-do-sol furioso, se transformaram em música, aquela coisa mágica e eterna que une as pessoas da forma mais honesta possível.

Um comentário:

Tiago Duarte Dias disse...

são pessoas sortudas, ambos, enfim mto bom o texto =)