quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

América, saudades.

Olhe só, para onde a vida me trouxe de volta. Tento compreender tamanha regressão, mas Deus me pagará no futuro. Sim.
Hora dessas, eu deveria estar limpando banheiros em algum supermercado de Atlanta. Eu chegaria em casa – onde morava com meu amigo colombiano, mergulharia em minha saudosa banheira e o vapor d’água penetraria os poros do meu rosto imundo.
Mas bem, estou de volta ao Brasil. É certo que eu amo meu país, as minhas origens no interior de Minas Gerais. Entretanto, nunca fui e nunca serei feliz aqui.
Estou preso no Brasil pelo amor que sinto pela minha mãe. A diabete a atacou novamente e eu sou o único disponível para cuidar dela – dar remédios, preparar as refeições corretas.
Ao menos me restaram as lembranças: os subempregos, a falta de dinheiro, as pessoas – tão estrangeiras quanto eu e as doses de vodka depois de um longo dia de trabalho.
Impossível esquecer da música. Os festivais de jazz, as boates baratas, os concertos de rock’n roll , que aconteciam dentro de uma garagem qualquer.
Na América, a vida pulsava violentamente, como se fosse transbordar os limites venosos. Os amores. As belas moças e os rapazes ainda mais atraentes, que rendiam em longas noites de amor e prazer. Vivi.
Hoje ficam apenas as lembranças empoeiradas. Estou velho, calvo e magro. Os programas dominicais de televisão e algumas latas de cerveja são minha única companhia. Mas preciso acabar com esses devaneios. O sonho americano acabou há muito e além do mais, está na hora de aplicar insulina em mamãe.

Um comentário:

Lawrence disse...

puts eu fico impressionado com esse seu nivel intelectual...senso critico, e o modo como você consegue ser tão detalhista.