Muito mais do que “um satélite de pedra no oceano” (como diz o dicionário e aquela canção extremamente regionalista), Vitória é uma ilha surpreendente. Tediante, eu sei, mas surpreendente. Não necessariamente da forma positiva. Bom, é que hoje eu reparei tanta coisa nessa cidade. Sei também que o que vi aqui hoje é comum em todo o País, e até no mundo. Mas fazia tanto tempo que eu não saía de onde costumava estar ultimamente, além disso: Vitória é um lugar minúsculo que vem crescendo absurdamente. Não há mais para onde crescer. Vitória, “macrocefálica”. Não sei sua essência (se é que tem), mas tem cheiro de peixe e de esgoto.
A cidade pede socorro. E eu mais ainda, aqui. Não dá para se transportar, a não ser com estresse e indignação. O moleque dormindo no colo de sua mãe imunda e seus dejetos humanos em exposição na calçada de luxo da Praia do Canto não espanta mais (O bicho, meu Deus, era um homem.). O nada se encontra aqui. O nada se encontra com a matéria e cria forma.
Tudo se resume em praças. Praças padronizadas. Talvez você encontre algo diferente no Centro da Cidade ou na Reta da Penha, se conseguir chegar até lá. Alguns lugares são bonitos, sim. Mas o cheiro desagradável e o pó de minério desanimam. Vitória, um cubo. Quero mais do que sua beleza de certa forma superficial. Sufoque-me Vitória, com sua superficialidade. Com seu bairrismo descarado e desnecessário. Até mesmo de quem mora na periferia, zona norte, favela, invasão, morro – chame como quiser. Um péssimo hábito de supervalorizar o bairro onde mora, e “pré-conceituar” quem mora nos bairros humildes, sendo que estamos todos enclausurados aqui. Vitória, me perdi em meio aos milhares que nascem de ti ou vêm para cá.
No entardecer, o Batalhão de Missões Especiais é acionado mais uma vez, e a cidade pára. Eu, presa dentro de um 121, observo tudo em meio aos outros rostos exaustos de um dia de trabalho, na mesma situação que eu: abafados dentro de um ônibus. Os policiais estavam indo apreender três menores de idade. O mais novo deles, de dezessete anos, havia matado mais de dez pessoas. Com dezessete anos.
No entanto, a capital não pode parar. Indústrias e empresas estão chegando. Garanta seu emprego. Qualifique-se. Faça um curso técnico. Passe em primeiro lugar no VEST-UFES. É tudo o que os outdoors dizem. Faça isso, ou não sobreviva no Estado, Vitória não te quer (e eu não quero Vitória).
Anoiteceu, quero sair. Mas para onde? Não há para onde sair em Vitória. Os bares fecham cedo. Os melhores filmes não vêm para cá. Bons shows, só uma vez ao ano, sendo que as entradas custam caro e acabam rapidamente. Não, não quero ir no show da cantora baiana. Quero me divertir, sentir algo real e vivo. Vitória, o tédio te consome. O tédio me consome. A saída é esperar o fim do ano e ir aos shows das mesmas bandas. Bandas daqui, é claro. DEVEMOS valorizar nossa cultura. Mas é preciso acreditar: quem sabe esse ano algum artista original venha para cá...
Honestamente, posso dizer que Vitória é uma metrópole que me faz sonhar alto, me inspira e me ensina. Me ensina que por aí há muito além do que essa ilha sem identidade alguma, há lugares bons e belos para viver. E é bom sonhar com eles e com a oportunidade de um dia ir embora daqui, levando apenas lembranças, boas e ruins. Vitória me acolhe em seus mares, mas eu me retiro deles. Antes que eu morra contaminada.
A cidade pede socorro. E eu mais ainda, aqui. Não dá para se transportar, a não ser com estresse e indignação. O moleque dormindo no colo de sua mãe imunda e seus dejetos humanos em exposição na calçada de luxo da Praia do Canto não espanta mais (O bicho, meu Deus, era um homem.). O nada se encontra aqui. O nada se encontra com a matéria e cria forma.
Tudo se resume em praças. Praças padronizadas. Talvez você encontre algo diferente no Centro da Cidade ou na Reta da Penha, se conseguir chegar até lá. Alguns lugares são bonitos, sim. Mas o cheiro desagradável e o pó de minério desanimam. Vitória, um cubo. Quero mais do que sua beleza de certa forma superficial. Sufoque-me Vitória, com sua superficialidade. Com seu bairrismo descarado e desnecessário. Até mesmo de quem mora na periferia, zona norte, favela, invasão, morro – chame como quiser. Um péssimo hábito de supervalorizar o bairro onde mora, e “pré-conceituar” quem mora nos bairros humildes, sendo que estamos todos enclausurados aqui. Vitória, me perdi em meio aos milhares que nascem de ti ou vêm para cá.
No entardecer, o Batalhão de Missões Especiais é acionado mais uma vez, e a cidade pára. Eu, presa dentro de um 121, observo tudo em meio aos outros rostos exaustos de um dia de trabalho, na mesma situação que eu: abafados dentro de um ônibus. Os policiais estavam indo apreender três menores de idade. O mais novo deles, de dezessete anos, havia matado mais de dez pessoas. Com dezessete anos.
No entanto, a capital não pode parar. Indústrias e empresas estão chegando. Garanta seu emprego. Qualifique-se. Faça um curso técnico. Passe em primeiro lugar no VEST-UFES. É tudo o que os outdoors dizem. Faça isso, ou não sobreviva no Estado, Vitória não te quer (e eu não quero Vitória).
Anoiteceu, quero sair. Mas para onde? Não há para onde sair em Vitória. Os bares fecham cedo. Os melhores filmes não vêm para cá. Bons shows, só uma vez ao ano, sendo que as entradas custam caro e acabam rapidamente. Não, não quero ir no show da cantora baiana. Quero me divertir, sentir algo real e vivo. Vitória, o tédio te consome. O tédio me consome. A saída é esperar o fim do ano e ir aos shows das mesmas bandas. Bandas daqui, é claro. DEVEMOS valorizar nossa cultura. Mas é preciso acreditar: quem sabe esse ano algum artista original venha para cá...
Honestamente, posso dizer que Vitória é uma metrópole que me faz sonhar alto, me inspira e me ensina. Me ensina que por aí há muito além do que essa ilha sem identidade alguma, há lugares bons e belos para viver. E é bom sonhar com eles e com a oportunidade de um dia ir embora daqui, levando apenas lembranças, boas e ruins. Vitória me acolhe em seus mares, mas eu me retiro deles. Antes que eu morra contaminada.
2 comentários:
Muahuahuahua!!!!!
Fodastico!!!
Pow deu até vontade de escrever tbm
shuauhsauhuhsauhuhs niterói lembra mto vitória... estamos mal minha cara, estamos mal... mas um dia a gnt se muda pra londres ou paris =)
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