“E o impossível é uma droga perigosa o bastantePara se inventar a féPara se acreditar na féEm alguma salvação(...)E eu deslizoPro fundo de um quarto escuroJá não sei mais onde estouPra mim o mundo é só mais um quarto escuroE a devastação da vidaUma declaração de amor.”
(A Balada do Inimigo)
Como sempre, ela estragou tudo.
Porém, nessa ultima vez – há um segundo atrás – as dores se intensificaram. A dor transbordou pelos olhos e cordas vocais, onde permaneceu quieta. Se gritasse, ou apenas cantasse, ninguém a ouviria. Era uma peso invisível perante o Mundo. Isso. Enfim, a desejável e incessante vontade de viver retornou. Queria sentir algo palpável, dessa vez. Mas quem mandou anoitecer? A culpa era da noite, e sempre será. A noite traz com ela muito mais do que a escuridão, traz um brilho só dela, inimitável.Um brilho que nos motiva a fazer o que realmente gostaríamos. Mas uma força relativamente maior - a da dor- nos mantém fincados, ali. E ela sentia perfeitamente essa sensação/condição.
Frustrada e sem esperanças. Inconstante. Ninguém percebia sua presença, embora dissessem o contrário. Ela não queria que a notassem. Ela queria que a notassem. Mas não daquela forma e sim como alguém que precisa de amor e afeto, nem que fosse um sentimento apenas dito. Só queria o amor, por si própia ou por Alguém.
A vida tornara-se imóvel, literalmente inútil. Perdera os sentidos da alma.Tudo estava vago, sem gosto, sem forma, sem visão, sem cheiro, sem algum olhar entusiasmado. Tanto fazia estar aqui ou lá. Pouco lhe importava a falta de postura, a má aparência e a falta de beijos apaixonados. Só não podia faltar a música e melodrama de poesias, contos ou qualquer outra expressão de angústia, ao mesmo tempo tão confortante. Talvez pelo fato dela se tornar comum, a angustia, uma amiga que não se pode viver sem. Amigos...todos se foram. Ela permitiu que todos partissem, foi a gota d’água de algo que já perdera a essência há muito. As lágrimas já secaram, restaram as palavras transcritas em um papel qualquer. Palavras secas e incoerentes, afinal não tinha inspiração alguma, senão as marcas de seu rosto, o cabelo por pentear, o corpo pesado, fedido, exausto, pois havia perdido a leveza da alma. Essa alma que abandonara em cada lugar que passava. O maldito corpo se mantinha – embora com alguns defeitos – intacto, pronto para novas feridas. Tornou-se figurante da própia vida, que passava como filme através de seus olhos cansados.
Mas quando se chega ao fundo do poço, nota-se o brilho do lodo, lá no fundo mesmo. Um brilho esverdeado, que para muitos simboliza a esprança. Mais que isso, o lodo a fez lembrar que a beleza ainda existe. E está na INTENSIDADE, nas cores. De leve, as poças de água que ficaram depois da chuva refletiram sua face, sombreada. Fez sol aquele dia, depois da tempestade. O calor deixou-a arrepiada e não restou dúvidas: retornou para casa, e diante de todos os escritos, surgiu mais um, talvez de despedida. Dessa vez, optou escrever da parede, para se lembrar todos os dias daquele momento, talvez uma vitória.
Reinventar-se: E desde quando mudei? Não me lembro, mas a culpa foi da dor. Já não podia mais permiti-la e deixa-la me consumir gratuitamente. De onde vem a dor? Da ausência. Dos vazios trilhados dentro de mim, de alguém que amo. Mas não interessa mais. Demito-me da sensação de dor, tão didática e ao mesmo tempo cansativa.
Porém, nessa ultima vez – há um segundo atrás – as dores se intensificaram. A dor transbordou pelos olhos e cordas vocais, onde permaneceu quieta. Se gritasse, ou apenas cantasse, ninguém a ouviria. Era uma peso invisível perante o Mundo. Isso. Enfim, a desejável e incessante vontade de viver retornou. Queria sentir algo palpável, dessa vez. Mas quem mandou anoitecer? A culpa era da noite, e sempre será. A noite traz com ela muito mais do que a escuridão, traz um brilho só dela, inimitável.Um brilho que nos motiva a fazer o que realmente gostaríamos. Mas uma força relativamente maior - a da dor- nos mantém fincados, ali. E ela sentia perfeitamente essa sensação/condição.
Frustrada e sem esperanças. Inconstante. Ninguém percebia sua presença, embora dissessem o contrário. Ela não queria que a notassem. Ela queria que a notassem. Mas não daquela forma e sim como alguém que precisa de amor e afeto, nem que fosse um sentimento apenas dito. Só queria o amor, por si própia ou por Alguém.
A vida tornara-se imóvel, literalmente inútil. Perdera os sentidos da alma.Tudo estava vago, sem gosto, sem forma, sem visão, sem cheiro, sem algum olhar entusiasmado. Tanto fazia estar aqui ou lá. Pouco lhe importava a falta de postura, a má aparência e a falta de beijos apaixonados. Só não podia faltar a música e melodrama de poesias, contos ou qualquer outra expressão de angústia, ao mesmo tempo tão confortante. Talvez pelo fato dela se tornar comum, a angustia, uma amiga que não se pode viver sem. Amigos...todos se foram. Ela permitiu que todos partissem, foi a gota d’água de algo que já perdera a essência há muito. As lágrimas já secaram, restaram as palavras transcritas em um papel qualquer. Palavras secas e incoerentes, afinal não tinha inspiração alguma, senão as marcas de seu rosto, o cabelo por pentear, o corpo pesado, fedido, exausto, pois havia perdido a leveza da alma. Essa alma que abandonara em cada lugar que passava. O maldito corpo se mantinha – embora com alguns defeitos – intacto, pronto para novas feridas. Tornou-se figurante da própia vida, que passava como filme através de seus olhos cansados.
Mas quando se chega ao fundo do poço, nota-se o brilho do lodo, lá no fundo mesmo. Um brilho esverdeado, que para muitos simboliza a esprança. Mais que isso, o lodo a fez lembrar que a beleza ainda existe. E está na INTENSIDADE, nas cores. De leve, as poças de água que ficaram depois da chuva refletiram sua face, sombreada. Fez sol aquele dia, depois da tempestade. O calor deixou-a arrepiada e não restou dúvidas: retornou para casa, e diante de todos os escritos, surgiu mais um, talvez de despedida. Dessa vez, optou escrever da parede, para se lembrar todos os dias daquele momento, talvez uma vitória.
Reinventar-se: E desde quando mudei? Não me lembro, mas a culpa foi da dor. Já não podia mais permiti-la e deixa-la me consumir gratuitamente. De onde vem a dor? Da ausência. Dos vazios trilhados dentro de mim, de alguém que amo. Mas não interessa mais. Demito-me da sensação de dor, tão didática e ao mesmo tempo cansativa.
2 comentários:
Demitir-se da sensação da dor...
O desejo de todos os que sofrem.
Muitos o desejam mas só o conseguem com o fim da vida.
Solução?Iludir-se!
Não! E fazer da vida um teatro como todos os que Estão a minha volta?
Isso seria trair tudo oq defendo e acredito!
Por favor me apliquem um anestesico!
uau mto bom. vc é foda sabia =)
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