Minha desorganização desembaralha-se gradativamente, como se levasse parte de mim. E leva. Meu quarto torna-se desconhecido: luminosidade amarelada, livros perdidos e amontoados cabeceira, fotos rasgadas no chão. Rapidamente, observo um alguém em minha cama - meu espaço mais íntimo, espelho que reflete minha alma, nem sempre tão bondosa e correta. De primeira, não conseguir reconhecer seu gênero, já que a luz estava baixa eu estava sem óculos, ainda me recuperava daquela Viagem. Voltando um pouco para si, notei que a beleza era masculinizada.
O sexo oposto estava sobre minha cama, fato que de certo modo me ofendeu e, principalmente, me desafiou. Era um homem incrivelmente belo, dentro de suas visíveis imperfeições, cicatrizes que trouxeram até mim, meu presente. Seu magnetismo me intimidou, mas o desejo de admirá-lo superou qualquer tipo de pudor. Tinha um brilho que ofuscava minha presença ali. Quem era ele? Ele era o que eu vinha desejando há muito. Eu desejava alguém, uma outra alma, tão solitária quanto a minha. Uma alma que precisasse de mim, para cuidá-la e ama-la.
Desejei tanto que me perdi dentro de minha própria loucura e o projetei tão estranhamente parecido comigo. Carente e solitário, tinha apenas palavras a dizer. Mas eu não podia ouvi-las, mesmo se falasse, era como se ele fosse mudo. Por um lado, isso não foi tão ruim já que eu o temia, afinal ele era a mistura dos meus desejos mais secretos, jamais ditos. Digo, das minhas necessidades. Infelizmente o ser humano tem essa tal necessidade, a de amar e ser amado. E minha urgência humana dessa necessidade era tamanha, a ponto de produzir o outro dentro de minha mente. Mas era somente isso: ele estava dentro de mim, no fantástico e só. Intocável.
Às cinco horas da manhã, o toque do celular me despertou novamente, me convocando mais um dia medíocre. E nunca mais consegui reencontra-lo depois daquela Noite.
Às cinco horas da manhã, o toque do celular me despertou novamente, me convocando mais um dia medíocre. E nunca mais consegui reencontra-lo depois daquela Noite.
Um comentário:
Infelismente todos nós temos essa doença chamada amor.
Uma doença resistente a qualquer tipo de tratamento cuja a cura ainda é desconhecida.
As vezes adormece mas resurge após o contato com o "transmissor".
O contagio pode ser a distancia, pode se dar pela convivencia, ou como em raros casos a primeira vista.
Os sintomas são faceis de se identificar e dificeis de serem controlados.
Mas não se trata de uma doença mortal, nada que deva ser temido.
O infectado apenas passa por aflissões momentaneas q podem ocorrer a qualquer instante.
Por isso não se alarme, o amor não é fatal apesar de incuravel.
Posso afirmar isso porque apesar de tanto tempo ainda estou vivo.
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