segunda-feira, 3 de março de 2008

1.8

Não sei se fazer dezoito anos é um acontecimento tão maravilhoso como as pessoas idealizam, mas me sinto infinitamente melhor do que quando eu tinha catorze anos (e eu me lembro muito bem daquela época). Apenas sinto saudade da minha até então inocência, de quando eu me ocupava pensando e projetando o menino certo pra dar o primeiro beijo. Coisas tão futeizinhas que não saem da memória. E olha que com catorze anos eu já até trabalhava (era um trabalho tosco, mas exigia responsabilidade e não deixa de ser um trabalho!).
Enfim, depois do primeiro beijo vieram outros – não muitos. Mas o ultimo me decepcionou muito, o que de certa forma foi um aprendizado e eu espero nunca mais me deixar enganar por ninguém (é por essas e outras que as vezes eu prefiro a solidão). As feridas cicatrizaram e seria burrice deixar que tudo de ruim que já aconteceu comigo viesse à tona novamente. Não só no sentido de relacionamentos (na verdade esse é o de menos), mas também nas minhas frustrações e em todas as vezes que eu fui incompreensiva e desabei sem necessidade. Supervalorizei demais as dificuldades que passamos desde a morte da minha tia. Sei que muito disso aconteceu quando eu era criança mas não dá pra esquecer. E por mais que soe piegas ou sabedoria de banca de revista, é nas dificuldades que nos fortalecemos. É nos erros que almejamos acertar, e nos meus poucos dezoito anos recém-completados, acho que to aprendendo muito bem.
Além disso, não tenho vergonha de dizer que me arrependo de algumas coisas que eu fiz, das vezes que eu briguei com quem amo sem necessidade, das vezes que eu confiei demais em pessoas que não deveria, de não ter dito certas coisas por medo e ter sido tão vazia por tanto tempo.
Pra ser sincera, crescer não apavora tanto (embora eu prefira a infância), não mesmo. O crescimento enche os meus olhos de esperança, uma esperança tímida que vai aparecendo aos poucos, depois de tantos erros e muita ilusão.
Cada vez mais sinto orgulho de mim. Sei que a estrada ainda é longa (mesmo se interrompida pela morte. Não se sabe o que vem depois.), mas olho pra trás e percebo que tudo contribuiu para que eu me transformasse no que eu “venho sendo” e no que eu pretendo ser.
Não quero a perfeição, até porque ela é relativa e talvez inexistente. O que eu desejo é a paz de mente, o preenchimento do vazio diário e, principalmente, o aprendizado. Saber hoje mais do que eu sabia ontem. Desfrutar e compartilhar os melhores livros, as melhores músicas, as melhores pessoas. Daí vem o meu lado seletivo (ainda falho) que me orgulha.
Alguns pontos ainda precisam ser exercitados como o meu excesso de timidez e nervosismo, mas ainda há muito a ser feito. Estou num intermediário entre o casulo e o vôo e sinto que esse é o caminho certo que eu vou seguindo, reajustada.

2 comentários:

Marilia Alves de Melo disse...

uma semana depois...;B

Lawrence disse...

eu to numa de evolução pessoal
também.
agente olha pra traz e vê as merdas q fez...
mas o importante é olhar no espelho e sentir orgulho do q se vê.