sexta-feira, 11 de abril de 2008

Metalinguagem

"Tenho medo de escrever.É tão perigoso.Quem tentou, sabe.Perigo de mexer no que está oculto - e o mundo não está à tona,está oculto em suas raízes submersas em profundidades do mar.Para escrever tenho que me colocar no vazio.Nesse vazio terrivelmente perigoso:dele arranco sangue.Sou um escritor que tem medo da cilada das palavras: as palavra que digo escondem outras - quais? talvez as diga.Escrever é uma pedra lançada no poço fundo."
(Lispector, Clarice)



Eu preciso tanto dos meus rabiscos...o que seria de mim sem eles? Ou melhor, o que seria da Humanidade sem "o poder da escrita"? É impossível imaginar a ausência das palavras. Elas tão tão belas, algumas são divertidas, outras são traiçoeiras, mas todas são necessárias. Ao dominar as palavras, atinjo um estágio de domínio do mundo, ou pelo menos do Meu Mundo. Assim vou criando minha própria indentidade. Mas esse caminho é divisor: ou você conhece as palavras e se doa por inteiro à elas ou você nem se aproxima. Escrever é vício. E eu sei que no fundo elas intimidam (e muito!), já que são poderosas. Preciso ser amiga das palavras e diariamente vivo tentando agradá-las e reuní-las da melhor forma possível, mas, quase sempre, o efeito colateral é a decepção, pois sei que esse domínio não é para todos, tão pouco se conquista de imediato.
Mesmo assim, não vou desistir facilmente, assim, no meio do caminho. Conitinuo na estrada (um pouco enferrujada, eu sei...pois havia pensado demais, mas não no que era necessário pensar), seguindo em passos curtos, sem pressa, para alcançar o tão desejado domínio das palavras. Ou seria, na verdade, a minha redenção à elas?

2 comentários:

Tiago Duarte Dias disse...

Palavras são diferentes de números. Números não mudam, são sempre eles. Mas as palavras tem multisignificados, tem várias palavras que significam a mesma coisa. Tudo isso dentro de uma língua só. Dominar as palavras é muito mais difícil que dominar os números.

Lawrence disse...

é no minimo ambicioso. Não acho que há um limite, o ponto mais alto...tudo depende de onde você quer chegar.