quinta-feira, 29 de maio de 2008

Caro Escritor (Para todos que escrevem.) :

Peço perdão pela indelicadeza dessa tentativa patética de transforma-lhe num leitor qualquer, um leitor desprevenido como eu, mas saiba que não tomarei seu precioso tempo. Um tempo, aliás, que eu adoraria saber como você o utiliza, se é que acredita na idéia de tempo.
Se por acaso notar minhas lágrimas, não se espante. Estou emocionado com sua arte, a arte de expor a mente de forma gratuita, com a percepção de quem ama, por mais que exponha a dor ou a realidade. Seus versos atravessam toda compreensão, ultrapassam um estágio novo me levam para outro lugar. Pois quando leio, existo.
Pela manhã, me alimento do que escreve e só assim suporto as próximas horas do dia, e ao deitar-me de noite, busco em seus textos um bom motivo para dormir e sonhar.
Nossa relação é de tamanha adoração da minha parte... Observo-lhe de longe, como se fosse um deus das antigas civilizações e eu, uma simples serva. Venero-te. Admiro sua sensibilidade de transcrever o que eu preciso imaginar e acreditar que pode ser possível. Dessa forma, as paredes do meu quarto desaparecem e encontro-me muito maior. As pupilas dilatam e num momento quase mágico, as lágrimas escorrem minha face. Um arrepio repentino anuncia que estás mais próximo do que eu gostaria que estivesse. Estás dentro de mim, só que refletindo para fora, como um espelho. Um estranho espelho.
Caro Escritor, se por acaso eu me apaixonar, por favor, não se espante, e saiba que não sou a única. O fato é que não se apaixonar por você é inevitável, me foge as mãos, assim como foge a tantas outras mãos por aí. Tenho confundido meus sentimentos, mas sei que não sofrerei, pois você, com enorme gratidão, ensinou-me a esquecer tais pensamentos, da mesma forma que me fizera apaixonar-se.

3 comentários:

Tiago Duarte Dias disse...

lindíssimo seu texto. mostrou bem o valor do escritor e por extensão da arte, como dizia aquela música dos titãs já tão manjada.

Lawrence disse...

Benditos sejam esses tais desses escritores! pessoas iluminadas( ou só pessoas que pensam) que tentam compartilhar conosco, atravéz de palavras(esse meio de comunicação tão inceficiente para transmitir o qe reamente se sente) um pedacinho de asua alma, a tão sofrida alma de escirtor.

Lawrence disse...
Este comentário foi removido pelo autor.