Eu sou um palhaço triste.
Por trás dessa máscara e desse falso nariz vermelho existe uma sombra negra que eu procuro esconder.
Tento sorrir para amenizar minhas dores, as dores do mundo, meu abandono profundo.
Tento fazer outras pessoas sorrirem também, mas é inútil, pois dizem que não tenho graça.
Raramente consigo conquistar um sorriso, um olhar alegre, mas quando o faço, carrego-o como uma vitória em minhas costas.
As crianças têm medo de mim, do meu olhar rebaixado, minha peruca estranha e meus trajes ridículos.
E no picadeiro da vida, tento me equilibrar nas cordas da sobrevivência.
Faço malabarismo com meus poucos trocados.
E engulo facas, muitas facas.
O fogo que eu expulso daqui de dentro deveria representar a raiva, mas raiva de que?
Raiva de ser um palhaço triste?
Essa é minha condição e meu dever é fazê-la muito bem.
Mesmo que não seja reconhecida.
Entre um trapézio e outro, contorço-me dentro de mim mesmo, para dar espaço a tantos palhaços tristes que rondam o Planeta, esse legítimo globo da morte, que não pára de girar.
domingo, 15 de junho de 2008
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Um comentário:
Eu queria ser um bom palhaço para tirar um sorriso de palhaços tristes...Mas tudo que conheço são três ou quatro piadas manjadas.
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