segunda-feira, 4 de agosto de 2008

o que se vê.

todo mundo se perdeu. nada mais afeta, nenhuma lágrima comove. as frases não convencem, principalmente "eu te amo". o amor é invensão, "o cinema é ilusão", a História é registro, passado, e eu nada fiz por ela. eu não trabalho, não estudo, não uso drogas. não contribuo pra a paz mundial, nem pra economia, nem pro crime.as culpas são transferidas, os créditos são disputados. a beleza nem sempre convence, o conteúdo nunca é o suficiente. as mentiras são muito mais agradáveis, o sol quando se põe é muito mais belo. o frio noturno me acalma, as pessoas feias me hospedam. os filhos nascem, os pais sustentam [?]. os pais não apóiam, os filhos desrespeitam. as famílias se desfazem, as árvores caem, pessoas e animais morrem o tempo todo. música é remédio, o riso é a morfina da desgraça.a felicidade é distante, as máscaras não se encaixam em nenhum rosto. a arte é desvalorizada. o salário aumenta, os preços também. a saudade aumenta, os desejos aguçam. a realização é adiada. “o pulso ainda pulsa”, os cabelos caem, os dentes apodrecem. os socos machucam, os sentidos se perdem. a vontade de viver não persiste. o pulso não pulsa mais. a morte acolhe. a alma agradece.

Um comentário:

Lawrence disse...

Eu ainda tento encontrar algo que realmente valha a pena acreditar nessa vida. mas parece uma busca inútil...
A questão é: fazer parte da história significa realmente algo ou é só uma desculpa que os humanos usam pra justificar sua existencia. E se o amor é invenção mesmo, eu penso que os beatles mentiram em todas aquelas lindas canções. bem que eu queria acreditar neles...mas não dá.