quarta-feira, 4 de março de 2009

sem título

Sinto que frequentemente estou em conflito comigo, como se dentro de mim eu não existisse e deixasse outros desconhecidos tomarem conta do meu corpo. São indivíduos previsíveis e quase sempre desagradáveis, que dividem minha carcaça em dois pólos.
Um lado de mim não enxerga resoluções bonitas pro que me dói, enquanto o outro lado de mim possui um otimismo cego e irritante, tentando acreditar que vai dar tudo certo, e sempre.
Enquanto um pedaço de mim só enxerga cores vivas, o seu oponente só sonha em preto e branco.
Uma parte desse corpo chora desesperadamente antes de dormir, enquanto a outra só quer sorrir.
O pior disso é que eu observo tudo de fora, empresto meu corpo gratuitamente a esse conflito. Tento examinar essa desordem e me decepciono, pois esses fragmentos não se permitem complementar um ao outro, nas suas fraquezas e derrotas.Ou um ou outro, nunca ambos, nunca com limites.
Todos os meus sistemas se exaustam por viverem assim, dentro dessa guerra na qual não tenho vez.
É isso que eu sou, um corpo apenas, coadjuvando o que deveria ser meu, por lei, por necessidade. E assim vou me perdendo dentro desse labirinto de vontades que se repelem.

4 comentários:

Lawrence disse...

A coexistencia desses dois seres é um mau necessario. Eles jamais poderiam de fundir pois são como cargas opostas, se anulariam...E e um deles te dominasse seria ainda pior. Um te levaria a estagnação completa, a uma paranoica rejeição de tudo. O outro te levaria a um mundo cor de rosa imaginario. A solução(algo que chamo de paz interior) seria encontrar um meio de equilibrar a influencia de ambos. Como fazer isso? Eis o maior dos dilemas.

Lawrence disse...

*E se um deles...

Tiago Duarte Dias disse...

Todos somos Apolo e Dionísio.

Unknown disse...

me identifiquei horrores ''/ ps: vc tah escrevendo mto bem!!