quarta-feira, 15 de abril de 2009

vou fazer uma camisa escrito: "Faça-me de idiota"
porque já to pegando a prática! ¬¬

quarta-feira, 4 de março de 2009

Um trecho.

[...]
O que seria esse amor,o fruto que pereceu, se desmanchou entre mãos áridas e abandonou corações?Tentou sentir, não era possível: com as raízes podres os sentimentos não se renovem, o toque não faz sentido. Mas aquela imagem tão clara e quase perfeita de um ser humano cristalizou, eternizou. Não tente questionar uma imagem criada com doçura, pureza e esperança, pois para quem ama, essa imagem ultrapassa os pensamentos, por mais que não venha a concretizar. A fuga é a própria mente que idealizou o amado, que tenta não se preocupar com o que é externo e canalizar essa derrota não declarada com criatividade, mas sem sucesso. Quanto mais se tenta não pensar, se pensa. E chora, mais por dentro que por fora, mantém esse segredo pesado até que a aparente força se perca. Se pudesse escolher entre amor e sabedoria, escolheria o amor da mesma forma...pois mesmo não correspondido, é tudo que o mantém vivo.
[...]

Ideal

não quero viver consumindo as sobras frias da felicidade de outro alguém.
espero conseguir moldar minha própria história.
mas se não for possível...a arte me consolará!

E se

E se me sobrassem algumas horas
antes do repouso eterno
Eu me recolheria
Beberia todo o álcool possível
Pintaria alguns quadros
E me lamentaria, profundamente
Pela falta de coragem
De fazer a felicidade se manifestar...

Madrugada Morta

O céu mais estrelado
A rua mais deserta
O coração mais vazio
E esse silêncio chato
Lamentam, lamentam
Os dedos frios dessa madrugada.


O carros passam pingados
Os poucos mendingos recolhem lixo
E a garoa cai, bucólica

Aos poucos, aos poucos
Essa madrugada morta
Me mata de sono
Me mata de tédio

Só Minha.

Quem vai passar a mão no meu rosto para enxugar essas lágrimas senão eu mesma?Você costumava ser a parte de mim que eu chamava em segredo de minha melhor parte. Contra a minha vontade essa paixão me inflamou e aqui estou eu, repleta das cicatrizes mais sinceras e alguém já carregou.
Eu poderia te desenhar, fazer canções vazias pra tocar no rádio e te impressionar, escrever teu nome num asfalto quente, mas nada seria o bastante, nada o traria de volta.
O peso desse final de história me esmaga, me fere facilmente. Sim, eu sei, é tão antiquado sofrer por amor, enquanto eu poderia estar enchendo a cara, pintando ou dormindo.
Mas quando me dou conta de que não me pertences mais,eu me rendo à essa perda, eu me permito o maior dos dramas, eu potencializo toda essa agonia, porque essa dor é minha, só minha.

sem título

Sinto que frequentemente estou em conflito comigo, como se dentro de mim eu não existisse e deixasse outros desconhecidos tomarem conta do meu corpo. São indivíduos previsíveis e quase sempre desagradáveis, que dividem minha carcaça em dois pólos.
Um lado de mim não enxerga resoluções bonitas pro que me dói, enquanto o outro lado de mim possui um otimismo cego e irritante, tentando acreditar que vai dar tudo certo, e sempre.
Enquanto um pedaço de mim só enxerga cores vivas, o seu oponente só sonha em preto e branco.
Uma parte desse corpo chora desesperadamente antes de dormir, enquanto a outra só quer sorrir.
O pior disso é que eu observo tudo de fora, empresto meu corpo gratuitamente a esse conflito. Tento examinar essa desordem e me decepciono, pois esses fragmentos não se permitem complementar um ao outro, nas suas fraquezas e derrotas.Ou um ou outro, nunca ambos, nunca com limites.
Todos os meus sistemas se exaustam por viverem assim, dentro dessa guerra na qual não tenho vez.
É isso que eu sou, um corpo apenas, coadjuvando o que deveria ser meu, por lei, por necessidade. E assim vou me perdendo dentro desse labirinto de vontades que se repelem.